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Archive for the ‘auto-estima’ Category

Noite passada eu estava fazendo leitura do guia devocional diário que traz ao final a seguinte oração:

Divino Criador, quando nos sentirmos pequenos e insignificantes, ajuda-nos a lembrar que Tu nos fizestes e nos amas o bastante a ponto de enviares Teu único filho para a nossa redenção. No nome Dele oramos. Amém.

Ao meditar nessa oração eu comecei a refletir sobre como nossa falta de conhecimento sobre nós mesmos e nossas potencialidades pode influenciar em nosso estilo de vida, em nossas definições de projetos e propósitos e no cumprimento da vontade de Deus para nossas vidas.

Ao pensar sobre esse tema me vem primeiramente ao coração a certeza de que Deus nos fez com potencial para grandes coisas. Nós cristãos acreditamos que não somos obra do acaso, fomos criados na medida certa por Deus, e Ele define propósitos para cada um desde a eternidade. Quando convertemos nosso coração a Jesus Cristo e nos dispomos a segui-lo o nosso caráter é moldado por Deus. Dessa forma, as nossas falhas são lapidadas e nós crescemos espiritualmente, mas eu torno a dizer, esse processo ocorre quando nos dispomos, ou seja, entregamos nossa vida para fazer os propósitos que Deus tem para nós e não os nossos próprios. Isso quer dizer que todos temos potencial para sermos e fazermos coisas que talvez nunca realizemos por não vivermos no centro da vontade de Deus para nós. É muito comum que nos envolvamos em tantos projetos tanto na igreja, quanto na família e na vida profissional e frequentemente deixamos de colocar esses planos diante de Deus em aprovação. Acredito que temos medo de que Deus não aprove algo que Nós temos certeza de que é o melhor para as nossas vidas. Acabamos renegando a vontade de Deus para nossas vidas sem mesmo perceber. Falamos por aí “Se Deus quiser”, mas não paramos para ouvir a resposta de Deus. Será que Ele quer? Eu cheguei a perguntar?

Certa vez eu estava na casa de uns amigos, e compartilhei com eles a minha incerteza em que cidade iria morar assim que terminasse minha pós-graduação, se iria ou não voltar para minha cidade. Então um deles me falou mais ou menos assim: “Ore a Deus pedindo para que te direcione a cidade onde Ele quer te usar.” De fato eu vinha orando e pedindo a direção de Deus quanto aquele assunto, mas não me lembro de ter feito essa oração antes, de que Deus me enviasse aonde eu seria mais útil para fazer a vontade dEle. E foi a partir daí que percebi o quanto eu vinha me afastando dos propósitos de Deus naquele momento da minha vida. Os meus sonhos e planos eram totalmente egoístas e materialistas. Claro que não é errado sonhar com coisas do tipo comprar um carro, alugar uma casa melhor ou mesmo comprar uma, renovar os móveis, até mesmo casar. O que acontece é que em muitos momentos das nossas vidas nós trocamos as prioridades, nos afastamos do que Deus quer pra nós, e com isso nos distanciamos de vir a ser a pessoa que Ele quer que sejamos. Todas as coisas necessárias para vivermos com conforto e dignidade nos serão acrescentadas naturalmente quando  buscarmos o reino de Deus acima de todas as coisas! (Mateus 6:33).

Outra situação que também pode dificultar que nos “encontremos” enquanto cristãos, ou seja, que nos deixa perdidos quanto a nossa função e a nossa importância para a missão que Cristo confia aos homens, é a de não nos aceitarmos como somos. Muitas pessoas se encontram nessa condição de infelicidade quanto a sua aparência, comportamento, condição financeira, entre outros. Isso pode ser um grande entrave para fazermos a vontade de Deus, pois se não reconhecemos em nós criaturas feitas por Deus à sua imagem e semelhança e com características ideais para fazer a vontade Dele na Terra, estaremos sempre errando o centro da Sua vontade.

A humanidade é tão diversa em tantas características: físicas, culturais, comportamentais… Isso é maravilhoso demais! Existem pessoas diferentes em incontáveis formas, e isso é plano de Deus! Claro que isso não é motivo para que nos acomodemos em nossas dificuldades, medos e fraquezas. Quando algo em nós nos incomoda, e é visto como um limitador, que nos atrapalha, é importante que coloquemos isso sinceramente diante de Deus pedindo para que Ele trabalhe essa questão em nossas vidas. A partir daí vamos começar a enfrentar situações desafiadoras para vencer os obstáculos que podem ter sido gerados por vários fatores: traumas, criação equivocada, temperamento mal trabalhado, autoestima mal desenvolvida, entre outros.

No entanto, precisamos entender que apesar de sermos falhos, nós temos muitas qualidades sim! Deus nos deu dons e talentos que são muito preciosos aos Seus olhos! Lembre-se que no corpo de Cristo o seu dom é essencial para que seja feita a obra de Deus. Seja você o olho, ou o dedo mindinho, de toda forma você tem muita importância ao corpo, e a sua ausência é sentida pelos outros membros. Sendo assim, ao deixar de se menosprezar você começará a ver em si mesmo uma pessoa idealizada por Deus para cumprir seu propósito na Terra. Pessoa que possui características únicas e essenciais para o corpo de Cristo! Pessoa que será muito mais feliz quando tirar o foco de si mesma e de seus defeitos e colocar o foco em Deus e no que Ele pode fazer por sua vida e por meio dela pra cumprir a Sua vontade.

Se Deus chamou atenção ao seu coração para a necessidade de se aproximar mais dEle, de enxergar a si mesmo como alguém importante na obra de Deus, e você sentir necessidade de conversar sobre isso, você pode nos procurar deixando um comentário aqui ou enviando um email para blogvidaemcristo@gmail.com

Que Deus nos abençoe!

E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12:2)

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Tem gente que faz qualquer coisa por um elogio, até transformar a própria vida num tormento para ser a melhor, a mais eficiente, a mais bonita. Receber palmas vira objetivo em vez de resultado natural por ter feito algo direito. Nossos especialistas ajudam a identificar a dependência e mostram o caminho da desintoxicação.

Reportagem retirada da Revista Claudia de Maio de 2010.

Por Vera Gudin

Todo mundo gosta de ouvir elogios, e não há nenhum problema nisso: o aplauso é um combustível poderoso para alcançar metas e um reconhecimento indispensável para não desanimar no meio do caminho, característica da natureza humana. Para algumas pessoas, porém, é mais do que isso: uma droga sem a qual nada vale a pena. Elas padecem de uma necessidade insaciável de ser aprovadas, estimadas e admiradas sistematicamente pelos outros. Alimentam-se do foco positivo – verbal ou não – que recebem. “Direcionam todo o seu comportamento, de fato a sua vida, para obter esses fragmentos agradáveis de atenção”, observa o escritor, filósofo e orientador psicológico israelense Sam Vaknin no livroMalignant Self Love – Narcissism Revisited (Amor-próprio maligno – Narcisismo revisto), ainda indisponível no Brasil. Especialistas como Vaknin identificam essa atitude como um transtorno e cunharam até um nome para ele:narcissistic supply, em português algo como “suprimento narcísico”. Tem controle, mas a parte mais difícil talvez seja assumir que há um desequilíbrio na calibragem entre a necessidade normal e a patológica de elogios. A atriz e cantora Zezé Motta, 65 anos, atual superintendente da Secretaria da Igualdade Racial do Estado do Rio de Janeiro, precisou de anos de terapia para descobrir o problema e aprender a lidar com ele. Eu sentia necessidade de ser aprovada a todo minuto, desde que era bem pequena. Por isso me tornei artista”, diz. “Até hoje, se alguém me olha de forma atravessada no aeroporto, por exemplo, fico arrasada”, confessa sem constrangimento e com uma dose de humor, resultado do autoconhecimento alcançado graças ao divã.

Quem depende da aprovação alheia para ser feliz, a exemplo dos viciados, está sempre ávido pela “droga” redentora: elogios, adulação e aplausos. E quem irá suprir essa “dependência”? Bingo! Quem estiver por perto e se prestar – sempre tem alguém! – a esse papel: um familiar, o melhor amigo, o cônjuge, um vizinho ou até um fã, em se tratando de um artista. “A necessidade de aprovação, reconhecimento e aceitação é importante porque vivemos numa rede social. O professor que acredita ter dado uma boa aula encontra nisso um retorno de seu trabalho”, pondera a psicóloga e psicoterapeuta Daniela Loureiro. “Mas, quando a pessoa estabelece uma relação patológica, ou seja, cria uma dependência de aplausos, há prejuízos. Isso pode gerar depressão, ansiedade e uma tristeza profunda se os elogios não vêm. A aprovação do outro passa a ser um objetivo na vida e não um resultado natural.” O transtorno afeta ambos os sexos, só que as mulheres falam mais abertamente sobre isso. Zezé Motta tomou conhecimento de sua “dependência” recentemente. No começo, eu sofria, mas achava muito normal me sentir assim”, relembra. “Na adolescência, quando algum namorado desistia de mim, ficava de cama. Todo mundo se sente mal quando leva um fora, mas comigo era uma coisa meio exagerada. Eu me trancava no quarto e demorava muito para me recuperar. Trabalhei isso na análise. Hoje, se eu levo um fora, dou uma caminhada, vou ao cinema ou prestigio um amigo que está fazendo um show. Não fico deprimida ou chorando.”

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Garimpeiros

Os viciados em aplausos tornam-se experts em garimpar elogios. Muitas vezes, procuram a excelência em alguns – ou em vários – aspectos da vida, seja no trabalho, seja em alguma habilidade específica, como uma modalidade esportiva. Mesmo com bons resultados, nunca estão satisfeitos com o próprio desempenho, o que é típico da natureza do transtorno. “O esforço para melhorar faz parte do desejo natural e saudável do ser humano. Mas uma coisa é querer se aprimorar. Outra, muito diferente, é ficar se cobrando o tempo todo por isso. Temos que ser o melhor que podemos”, destaca o psiquiatra e psicanalista Luiz Alberto Py. Cobrar-se exaustivamente é um indício de que algo não vai bem. O psiquiatra alerta: “Aqueles que agem assim estão muito inseguros, insatisfeitos. Sentem-se inferiorizados e precisam compensar esse sentimento chamando a atenção e buscando ser os melhores. Em geral, não resolve. Então, acabam caindo em algum tipo de compulsão, seja para bebida, sexo, droga ou para compras, desconsiderando que isso só traz um alívio temporário. É como o remédio que atenua a dor, mas não cura. Se não tratar a causa, ela vai voltar”. Para complicar, nem sempre é possível distinguir o desejo saudável de se aprimorar do patológico. “A pessoa diz: ‘O que busco é minha excelência máxima’, quando, na verdade, precisa o tempo todo que o outro lhe diga quanto é bela, capaz, pois não tem uma autorreferência bem construída, que lhe permita lidar com seus defeitos e com o que não tem de bonito”, afirma a psicóloga Daniela Loureiro. Filha única, C., 42 anos, sempre foi excelente aluna ao longo da vida acadêmica. A família era a plateia perfeita, endossando seus feitos e alardeando quão inteligente ela era. Ao se formar em advocacia, no início da década de 1990, arrumou um ótimo emprego. Tudo ia maravilhosamente bem até que perdeu uma causa importante, algo normalíssimo para quem é do ramo. Para ela, no entanto, foi um verdadeiro choque. Só de pensar na possibilidade de um novo fracasso, sentia náuseas e dores de cabeça. A cobrança por um desempenho irrepreensível acabou causando tamanho stress e ansiedade que começou a ter dificuldades em se concentrar no trabalho. Pediu demissão, entrou em depressão e só conseguiu sair da apatia meses depois, graças ao apoio da família. “Pude perceber que meus pais me amavam com minhas fragilidades e meus defeitos. E desde então passei a lidar melhor com minhas fraquezas”, conta C., hoje funcionária pública. A psicóloga Daniela dá pistas do que aconteceu com ela: “A pessoa fica presa a uma imagem que criou e que quer projetar de si, porém a nossa alegria e o interesse de viver não podem estar pautados apenas no reconhecimento público”.

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O x da questão

O que leva alguém a precisar com sofreguidão da admiração e da aprovação de terceiros? Pais que vinculam a aceitação dos filhos a suas conquistas ou uma educação que privilegia a competição podem programar nos pequenos essa ânsia por aplausos, segundo alguns especialistas. Já Luiz Alberto Py acredita que o transtorno está vinculado à insegurança e ao sentimento de rejeição. Zezé Motta admite ter se sentido seriamente rejeitada durante a infância. O pai, Luiz, abandonou a mãe, Maria Elavy, quando estava grávida de Zezé. Dos 6 aos 12 anos, a atriz ficou num colégio interno particular mantido por uma instituição espírita. As visitas aconteciam apenas uma vez por mês. “Ficava perguntando: ‘Por que eu?’ ” Ao sair do internato, passou, por sua vez, a hostilizar a mãe, que colocou um ponto final no conflito com uma conversa franca, contando à filha todas as dificuldades que havia enfrentado ao longo da vida. A confissão foi como um bálsamo na alma de Zezé, que hoje se dá muito bem com os pais. “Sentir-se rejeitado não quer dizer que esteja sendo de fato”, observa Luiz Alberto Py. “Sentimentos são mentirosos e enganam. Em vez de dar tanto crédito a eles, deve-se investigar se estão corretos ou equivocados.” A boa notícia é que sair do buraco pode não ser tão difícil assim. Vencer qualquer tipo de transtorno, seja ele a ânsia incontrolável por receber atenção ou não, é possível por meio de autoconhecimento e superação. Todos temos condições de criar algo melhor para nós mesmos”, assegura a psicóloga Daniela Loureiro.

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Programa de desintoxicação

Reconheça que algo vai mal

“A primeira coisa a fazer é entender o que está acontecendo. Só podemos resolver um problema quando sabemos que ele existe e percebemos que a solução está em nossas mãos”, afirma o psicanalista Luiz Alberto Py. A psicóloga Daniela Loureiro lembra que os incômodos e impasses são muito bem-vindos. “Quando a gente estranha alguma coisa, começa a fazer uma reflexão sobre aquilo que está se tornando automático.”

Procure ajuda profissional

Livrar-se da dependência do aplauso é um trabalho lento, longo e que exige muito empenho do “viciado”. “Com a ajuda de um profissional especializado, pode levar até três anos. Sozinho, uns 20. O auxílio de um terapeuta pode ser extremamente útil para abreviar esse processo, acelerando os resultados”, diz Luiz Alberto Py.

Sintonize razão e emoção

Perceber que se tornou competitiva por se sentir rejeitada e frustrada já é um ótimo ponto de partida. É importante identificar as próprias emoções e pôr a razão para administrá-las. “A emoção nos diz aonde ir, e a razão indica como chegar lá”, afirma Py.

Reportagem de Vera Gudin retirada da Revista Cláudia.

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